Momento crítico ao iniciar medicação para HIV [poema]

Vida de pílula

primeiro comprimidoUm texto de Ron Carpenter, retirado de TheBody.com e traduzido livremente por Derek

 

 

 

“Tendo sido há 30 anos ou semana passada, uma pessoa que vive com HIV e está em tratamento com certeza lembra da primeira dose de antirretroviral que tomou.

Para alguns, este primeiro (ou primeiros) comprimido é o início de uma nova fase em suas vidas: um ponto de mudança importantíssimo. O texto a seguir foi retirado de um dos relatos da série “Meu primeiro comprimido”.

Minha primeira medicação foi Atripla [Efavirenz/ Tenofovir/ FTC] e tomei no dia 18 de fevereiro de 2008. Ainda com muito medo do significado real de começar a medicação para HIV, eu não tinha escolha senão começar, pois eu tinha uma coinfecção por Hepatite B que estava rugindo, com uma carga viral acima de 1 bilhão. Foi um momento grandioso na minha vida, um momento crucial. Escrevi este poema naquele dia:

Momento de mudança

Autor: Ron Carpenter

Tenho em minhas mãos a pílula,

a primeira arma contra HIV,

encontrei as forças para aguentar e aceitar os efeitos que possa trazer.

Tenho em minhas mãos a pílula,

que se não fosse pelo seguro,

teria me custado cinquenta e cinco,

metade do meu trabalho duro.

Tenho em minhas mãos a pílula,

que devo tomar todos os dias;

pelo resto da minha vida,

ou até termos melhores terapias.

Tenho em minhas mãos a pílula,

que provavelmente vai me deixar mal,

mas que em comparação com o que de mim seria,

é bom faça seu efeito normal.

Tomo das minhas mãos esta pílula,

e coloco-a em minha língua,

ao passo que memórias inundam meus pensamentos,

da inocência dos meus jovens momentos.

Trago para meu corpo esta pílula,

cessando meu voo amedrontado,

sussurrando uma humilde oração,

para me ajudar a lutar de peito inflado.

(O poema não foi traduzido literalmente, para poder manter as rimas.)

Poema original:

A Turning Point

By Ron Carpenter

I hold in my hand a pill,
the first weapon against HIV,
I have found the strength to wield,
and accept what effects may be.
I hold in my hand a pill,
one that if not for insurance,
would have cost me fifty-seven,
half my take-home from labors current.
I hold in my hand a pill,
I must take every day,
for the remainder of my life,
or ‘til there’s a better way.
I hold in my hand a pill,
that will probably make me sick,
but by comparison to what would be,
is well worth its starting kick.
I take from my hand this pill,
and place it on my tongue,
as memories flood my thoughts,
of my innocence when I was young.
I take into my body this pill,
ceasing my fearful flight,
whispering a humble prayer,
to help me turn and fight.

Veja mais em: http://www.thebody.com/LBLN/hiv-turning-points/when-starting-hiv-treatment-turning-point.html#sthash.lTdSlsuv.dpuf