Como se pega HIV ou AIDS?

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É HIV ou é AIDS?

Para começar chutando o pau da barraca já, ninguém pega AIDS. Porque AIDS é a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, que é, segundo as diretrizes atuais, quando as células de proteção CD4 ficam abaixo de 200 por mL de sangue, sendo que uma pessoa saudável tem em torno de 450 a 1600 dessas células por mm3.

Vale salientar que não há qualquer evidência de que 1600 seja clinicamente melhor do que 500 células, então se você já é soropositivo e se preocupa com suas células CD4 que estão sempre em torno dos 550, bom, pare de se preocupar, não há nada que você possa fazer e você não é pior ou menos protegido do que seu colega soropositivo com 1300 células.

O que alguém pode “pegar” ou contrair é o vírus chamado HIV (vírus da Imunodeficiência Humana), que se não tratado pode levar o portador do vírus a desenvolver o quadro de AIDS, geralmente depois de 4, 5, 7, 10 anos de infecção.

Hoje em dia, na realidade brasileira, os novos infectados que fizerem testes e se preocuparem com sua saúde tomando os antirretrovirais jamais terão um diagnóstico de AIDS. Não deixe que seu cérebro te engane, sempre é melhor receber o diagnóstico o quanto antes possível. Hoje em dia, o tratamento é permitido e oferecido a todos os soropositivos, independente do estágio da mesma, estando infectado há 1 mês ou 5 anos, você tem direito a medicação.

Quanto mais cedo você começar a terapia antirretroviral, menos prejudicada será a sua saúde. Há evidências de que pessoas que comecem a medicação antes do terceiro mês de infecção consigam ter reservatórios virais menores, menor inflamação crônica, etc.

Faça o teste e inicie sua medicação, vale a pena!

Um pouquinho de anatomia

É importante também que você entenda um pouco da anatomia e fisiologia humana para compreender melhor os diversos fatores de risco.

  1. O reto, a parte que é penetrada no sexo anal, tem extrema fragilidade de tecidos, pois foi inicialmente feito para sugar líquidos do bolo fecal. Absorve tudo com muita facilidade, tanto é que alguns medicamentos são introduzidos lá e perfeitamente absorvidos pelo corpo.
  2. A vulva, parte mais interna da vagina, também é um corpo esponjoso. Apesar de ser mais “pronta para impactos” do que o ânus, também absorve substâncias.
  3. O pênis é o que menos absorve qualquer coisa, porém, também tem suas fragilidades de tecido no orifício da glande, a “cabeça”. E alerta especial para pênis não circuncidados, pois os mesmos tem maior sensibilidade, umidade e portanto são mais permeáveis.
  4. A boca é também porta de entrada para doenças, principalmente quando há machucados pré-existentes ou até os que aparecem na hora do sexo oral.

Como se pega HIV?

baixo e alto risco

Sexo anal receptivo (passivo)

Por questões anatômicas e algumas vezes comportamentais, sexo anal receptivo é a forma de interação sexual que tem o maior risco. A epidemia de AIDS no início era chamada de “Praga Gay”, pois realmente se concentrava nesta população.

Sexo anal receptivo desprotegido é mais arriscado por vários fatores:

  1. Durante o ato sexual, microfissuras causadas pela fricção acabam expondo mais ainda os tecidos do reto.
  2. Os intestinos e o reto têm uma maior concentração de células de proteção, pois são locais com maior número de bactérias, tanto as que fazem bem quanto as nocivas. E olha só, o HIV ataca justamente essas células de proteção.
  3. Como não se engravida através de sexo anal, muitas pessoas não usam proteção alguma para este tipo de sexo, pelo menos em casais heterossexuais.
    Homens que fazem sexo com homens (HSH) também falham no uso consistente da camisinha.
  4. HSH fazem mais sexo anal do que heterossexuais, por motivos óbvios, sendo assim há uma maior porcentagem de pessoas neste grupo que é portadora do vírus HIV. E como há menos gays do que heterossexuais, a ligação dos integrantes deste grupo é muito mais intensa e cruzada.

Passivo, cuide-se!

É possível contrair HIV em qualquer tipo de sexo, desde teoricamente sexo oral, também vaginal, e pelo pênis em contato com vagina ou com o ânus. Porém, a maior parte das infecções por número de atos sexuais acontece com sexo anal receptivo ou passivo.

Assim como há um movimento para o empoderamento das mulheres perante seus parceiros, que haja um movimento dos gays passivos perante seus parceiros ativos. A submissão que uma posição sexual passiva traz não deve ser sinônimo de desproteção na hora do sexo, ou de poder exigir menos no sexo.

Sexo anal ativo

Tanto com mulheres quanto com homens, ser ativo no sexo anal também carrega riscos de infecção pelo HIV. Jamais ache que ser ativo na relação não carrega riscos de transmissão do HIV, pois você não é imune.

A pele da glande, ou “cabeça” pode sofrer pequenos machucados durante o ato sexual, sendo uma entrada para o vírus.

A uretra, que é a parte interna por onde passa a urina, também possui células que estão propensas a contrair o HIV. E posteriormente passar para a corrente sanguínea, e pronto, a infecção está instalada.

Sr. Ativo: Não considere-se imune. Você pode estar transmitindo o vírus para seus parceiros, principalmente por pensar que nunca contrairia.

Faça o teste, tome sua medicação, viva até os seus 95 anos e não transmita o HIV por estar indetectável.

Sexo vaginal receptivo (mulheres)

Em muitas partes do mundo, as mulheres são as que mais contraem o vírus. Apesar de a vulva ser mais bem lubrificada e ser mais difícil contrair HIV por esta via, também se pega aHIV por sexo vaginal, mais do que você imagina.

Anticoncepcional não é mais suficiente, os tempos mudaram. Não é mais só com a gravidez que você deve se preocupar. Agora também temos HIV, HPV, hepatite B e C, gonorréia, sífilis, clamídia.

Faça o teste, use camisinha. Compartilhe também a necessidade de usar camisinha, você pode ter suas camisinhas. Os padrões do passado não te protegem dos perigos da atualidade.

O governo oferece camisinhas femininas, masculinas, lubrificante, Profilaxia Pós-exposição e tratamento caso seu parceiro tenha HIV. Se você por uma mulher que sabe do seu valor perante os homens, que tem orgulho de ser do “sexo frágil”, e se for consciente do que está acontecendo no Brasil e no mundo, você não contrairá HIV.

Se você estiver grávida, o teste de HIV deveria ser uma das suas primeiras prioridades. Se você for portadora do HIV, não se preocupe. Se você tomar os medicamentos como prescrito pelo médico infectologista, seu bebê nascerá sem HIV. Muitos países chegaram à meta de 0% de transmissões de mão para filho, chamada de transmissão vertical.

Sexo vaginal ativo (homens heterossexuais)

Homens que só transam com mulheres também contraem HIV. E muitas vezes são os que tem diagnóstico de AIDS pois nunca fazem o teste, consideram o HIV como uma condição que só atinge Homens que fazem Sexo com Homens, ou gays.

Seu pênis não é imune, tanto a parte que de onde sai a urina quanto a pele que recobre a glande são áreas por onde você pode contrair o HIV.

Alguns comportamentos aumentam os riscos de um homem heterossexual ser infectado pelo vírus HIV:

  • Ter injetado drogas;
  • Ter praticado sexo anal receptivo ou ativo, seja com homens ou mulheres;
  • Ter transado sem proteção com mulheres ou homens de regiões do mundo com alta incidência do HIV;

Se você transou sem camisinha, vá até um CTA e peça a PEP, um tratamento de 28 dias para que mesmo que você tenha entrado em contato com o HIV você não seja infectado.

Sexo oral, o risco teórico que existe

Não há nenhum caso de HIV sendo transmitido para alguém que recebeu sexo oral;
Não há nenhum caso de transmissão na modalidade onde uma pessoa faz sexo oral no ânus do parceiro ou parceira;

Há pouquíssimos casos de pessoas que dizem ter adquirido HIV tendo feito sexo oral em outro homem, e geralmente estas pessoas também tinham praticado sexo anal receptivo.

É ilusório que as pessoas passem a praticar sexo oral com camisinha em 2016. Esta prática nunca se popularizou.
Mesmo que você decida praticar sexo oral sem camisinha, cuide muito das outras situações de risco citadas acima, principalmente gays/bissexuais ativos e passivos e mulheres.

Transei sem camisinha, e agora?

Vá para um CTA, posto de saúde, hospital… em até 72 horas e peça a PEP, que é a profilaxia pós-exposição. Assim, mesmo que você tenha sido exposto ao HIV, não vai desenvolver a infecção e vai poder parar a medicação depois de 28 dias de tratamento.
Não deixe de exercer o seu direito.

Mas da próxima vez: cuide. 

Se descobriu que não tem HIV, pelo menos pesquise sobre o que é viver com HIV, entre na luta para melhores medicamentos para tratamento e prevenção. Estas ações protegem tanto as pessoas que já têm o vírus quanto as pessoas que não o têm.

Como não se pega HIV?

Beijo

Não importa o tipo ou a intensidade do beijo. Pode ser de língua, beijo garganta progunda ou selinho. Você simplesmente não vai contrair HIV por meio de um beijo. Nem mesmo de soropositivos com carga viral altíssima.
Você não vai beijar ninguém se sua boca estiver sangrando sem parar, nem se a boca da outra pessoa estiver assim, mas é por motivos de higiene, não pelo “risco” do HIV.

Masturbação

Ninguém contrai HIV masturbando ou sendo masturbado por um soropositivo. É uma prática completamente segura. Óbvio que o risco aumenta se jorrar esperma no na “cabeça” do seu pênis, ou na parte interna dos olhos. Bom senso faz bem.
Conectar um pênis com o outro pela pele, ou prepúcio, é como sexo desprotegido, então nada disso.

Talheres, copos, vaso sanitário, toalhas

O HIV é transmitido por contato SEXUAL e também por compartilhamento de seringas. Nada além disso transmite HIV, pelo contrário, aumenta o estigma da doença, faz as pessoas terem medo do teste, e acaba aumentando transmissão sexual e mortes.

HIV não é gripe, nem HPV, nem tuberculose, nem Ebola. É uma doença puramente sexualmente transmissível.