E o Dolutegravir pra quem sofre com Efavirenz?

antirretrovirais

Aparentemente, a menção de uma troca do Efavirenz para o Dolutegravir está sendo deixada na “surdina”. Até porque se todos os que sofrem algum efeito colateral do Efavirenz reivindicarem o direito de obter Dolutegravir em 2016, vai faltar Dolutegravir para os que estão iniciando a terapia.

É assim que o Brasil parece sempre trabalhar: Reprimir para se proteger. Mentir para não causar caos. Ser incoerente para não dar prejuízo.

Como já relatado aqui no blog, na minha segunda consulta com meu médico, mais de 6 meses depois de iniciar o 3 em 1, eu disse que não aguentava mais os efeitos colaterais do medicamento. Que continuava tendo sonhos estranhos, que não dormia nada bem, que estava cansado, que estava deprimido, que acordava todo “bugado”.

E o que ele me oferece?
Kaletra (lopinavir+ritonavir) + AZT + Lamivudina.

Como se o Kaletra já não fosse o suficiente para me assustar, ele ainda queria trocar o Tenofovir+Lamivudina por AZT+lamiudina?

AZT?????????????

Sobrevivi o AZT

Hm. Não, obrigado, Dr.! Vou continuar com meu Efavirenz me deixando todo desnorteado. Sabia muito bem da fama terrível do Kaletra, e não é por menos. Perfil lipídico (colesterol e triglicerídios) nada atraente, diarreias famosas, e gosto ferroso na boca.

Eu entendo que meu médico estava apenas seguindo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, que se encontra aqui e está sendo revisado neste momento, graças a Deus, ao SUS, à ViiV Healthcare, à sociedade civil, etc.

Mas eu via tantas e tantas e tantas pessoas em tantos fóruns dizendo que tinham passado direto do Efavirenz para o Atazanavir que eu achei que era senso comum não colocar pacientes em drogas tão  velhas  impactantes.

Ledo engano.

Aí vem a notícia de que haverá Dolutegravir em primeira linha no Brasil. Quase choro de emoção.

Aí vejo esta partezinha no documento de incorporação atualizado pelo CONITEC:

Olhe melhor:

Sim, ainda especificam quem teria acesso a este medicamento:

Confira você mesmo: http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2016/Relatorio-DolutegravirDarunavir-final-Republicacao.pdf

Cadê a parte que diz que quem não suporta mais os efeitos do Efavirenz também teriam acesso ao Dolutegravir?

Pois é, não tem. Mas sinceramente espero que este caso esteja especificado no novo protocolo.

Nós que não toleramos o Efavirenz vamos para qual lado?

Existem 2 caminhos:

  1. Que o governo especifique que quem não suportar Efavirenz também terá direito a tentar tolerar o Dolutegravir.
  2. Quem quem não tolerar o Efavirenz vai continuar seu trajeto para a segunda linha de tratamento, que no próximo ano provavelmente terá Atazanavir+ritonavir como primeira opção e também Darunavir+ritonavir como opção alternativa.


Ano que vem, pelo menos no papel, todas as opções de tratamento parecem muito bem toleradas e potentes.

Independente do caminho que a gente siga, 2016 parece resguardar ótimas terapias antirretrovirais.

Efavirenz, Nevirapina, Lopinavir e AZT continuarão tendo seu lugar reservado em alguns tratamentos. A grande sacada de 2016 é que ninguém vai precisar criar resistência aos medicamentos para finalmente ter acesso a outros melhores.

Assim nos aproximamos cada vez mais do que países de primeiro mundo oferecem a seus soropositivos, e com custos cada vez menores para que o sistema não seja sobrecarregado com a entrada dos milhares de soropositivos que ainda estão sem tratamento.