A cura da vaidade para aceitar o HIV com Monja Coen [vídeo]

vaidade

Acredito que muitos de vocês já tenham ouvido falar da Monja Coen, de seus ensinamentos e dos lindos e profundos vídeos que, ao mesmo tempo, são os mais simples.

Neste vídeo, em especial, a Monja fala sobre a vaidade e o quanto ela dificulta as nossas vidas. É a busca pela perfeição, pela supremacia, pelo “ser mais do que os outros, “ter mais do que os outros”, “saber mais do que os outros”, e assim por diante até chegar ao “ser mais saudável do que os outros” que é onde nós que temos HIV em algum momento esbarramos.

Preste atenção no conceito de “boa vaidade” e “má vaidade”. Todos teremos graus de vaidades. As vaidades estão dentro da gente e nos movem a alguns lugares.

Reflita.

Quando a agente de saúde do CTA me disse “… mas deu Reagente para HIV, infelizmente”, meu mundo se afastou de mim, eu fiquei sozinho na minha bolha de culpa e medo e mais um turbilhão de sentimentos indescritíveis, cujos nomes eu não sei, pois não sei se o ser humano já os catalogou ou rotulou. Não dei nomes, só senti. Talvez um dos sentimentos mais fortes, sufocantes e verdadeiros da minha vida até hoje.

Depois de algum tempo, quando eu já sabia que não iria morrer, que estava tudo relativamente bem, pelo menos biologicamente falando, comecei a perceber que outros sentimentos estavam ocupando o lugar dos sentimentos anteriores e o pior deles era a VAIDADE.

Eu não queria aceitar que eu tinha HIV enquanto os outros não tinham. Que eu tinha que me sentir péssimo e os outros não.
Não queria aceitar que, de repente, eu era “pior” do que todas as outras pessoas à minha volta.

O estigma colabora enormemente para o surgimento de todos estes sentimentos. A ignorância exacerba os estereótipos e as concepções erradas ou desatualizadas.
Você está tentando ficar bem enquanto, pelo menos na sua mente, todos os outros querem que você fique mal para pagar por seus erros.

Muitos pagam com a vida. Com o isolamento. Com o desespero. Com a desistência.

Fiquem bem.
Que a vaidade que aprendemos a ter desde tão cedo se dissipe aos poucos, junto com todo o julgamento moral, a autocobrança, o estigma, o preconceito, e a ignorância.

Abraço

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Vídeo: Monja Coen