Três meses de atazanavir

Usar um medicamento que causa desconforto ou complicações é muito deteriorante a longo prazo. Cheguei a esta constatação depois de mais de 1 anos tomando o 3×1. Muitos não sentem absolutamente nada, e isto é excelente. Eu senti, e foi forte, e foi longo, e foi degradante.

Há três meses decidi que não aguentava mais. Houve tentativas de troca de medicamento frustradas porque o médico dizia que minha única opção seria o Kaletra (lopinavir+ritonavir). O estranho é que eu via relatos de pessoas que saíam do 3×1 e íam direto para o atazanavir. Então por que eu não podia?
Cheguei à conclusão de que o sistema de saúde é corrompido, ou tem falta de comunicação, ou meu médico é desatento. Enfim…
Neste certo dia eu imprimi tudo o que eu podia para apoiar a minha decisão de não tomar o 3×1 nem Kaletra. Imprimi protocolos de tratamento e um formulário de pedido de medicamentos do SICLOM, um sistema para gerenciamento de portadores do HIV.

O médico, de novo, queria me empurrar o Kaletra e – pasmem! -, AZT!!!
Sendo que meu problema nunca foi com o Tenofovir.

Okay, calma…

EXPLIQUEI pro meu MÉDICO que não precisa tirar o tenofovir de mim. Uma situação no mínimo chata.

Expliquei também que estava saindo de um tempo longo cheio de efeitos colaterais, incluindo alterações no fígado, e que eu gostaria de uma terapia que não me deixasse preocupado. Uma terapia que me deixasse dormir tranquilo. E acordar bem. E viver bem.

Eu consideraria esta terapia como sendo o dolutegravir. Mas eu não me importava muito… só precisava desesperadamente sair das garras do efavirenz.

Pedi e repedi para tomar atazanavir +ritonavir + tenofovir/lamivudina. E finalmente meu pedido foi atendido. Saí de lá com três caixinhas. Não ia mais precisar tomar o 3×1. Eu nem acreditava… momento lindo.

Tomei já naquela tarde os três comprimidos juntos, em um só gole. E, neurótico como sou, esperei pelos efeitos colaterais de maneira cronometrada.

Uma, duas, quatro… dez horas depois e… nada. Eu não senti nada. Nem vômitos, nem diarreia, nem dor de cabeça, nem tontura. Realmente um descanso físico e mental tinha chegado para mim.

Acho que muito em breve devo passar por mais uma troca, pois, ao final da primeira semana com atazanavir, eu já estava bem amarelo. Pele e olhos.
Muito perceptível para mim, a ponto de eu ficar relutante para olhar para as pessoas nos olhos. E isso inclui pessoas do trabalho, amigos que não sabem da minha condição, pessoas do comércio, família.

Amo o atazanavir. Ele não me traz nenhum efeito colateral debilitante. A única coisa é o amarelamento mesmo.
Este amarelamento, chamado de icterícia, é completamente benigno e até faz em para o coração por acontecer devido a um poderoso antioxidante, a bilirrubina.
É uma pena que vou ter que deixar essa terapia no passado. Mas espero que a próxima seja tão bem tolerada quanto esta. E provavelmente será o Darunavir.