Como é o tratamento

Afinal, como é o tratamento do HIV/AIDS?

Sempre é bom reafirmar a diferença entre HIV e AIDS.

HIV é somente o vírus, que quando bem tratado e diagnosticado cedo jamais levará seu portador a apresentar AIDS.

AIDS é a debilitação do sistema imunológico depois de anos sendo atacado pelo vírus HIV. Uma pessoa apresenta o quadro de AIDS geralmente de 5 a 8 anos depois da infecção, quando suas células de defesa (CD4) caem para menos de 200 por mm3 de sangue, sendo que o normal para um ser humano saudável é de 450 a 1600.

Os medicamentos são terríveis?

As medicações para o tratamento de HIV/AIDS no passado eram “terríveis”, causavam um mundo de efeitos colaterais, modificavam a aparência das pessoas, etc.

Hoje em dia, é possível obter um tratamento muito bem tolerado, sem ou quase sem efeitos colaterais. Lembrando sempre que se você não suportar os efeitos, peça para trocar de medicação, o Brasil tem opções excelentes.

O primeiro que você certamente vai tentar usar é o 3 em 1, se você não tiver problemas psicológicos (veja Efavirenz) ou problemas ósseos e renais (veja Tenofovir).

Muitos comprimidos por dia?

Não, somente 1.

UM. UNO. ONE.

Dos muitos comprimidos do início da epidemia para um só comprimido diário antes de dormir.

Nem todos toleram esta medicação, o que é esperado de absolutamente qualquer outra medicação no mundo.

Outras opções comuns no Brasil:

  1. 3 em 1 (Tenofovir 300mg/ Lamivudina 300mg/ Efavirenz 600mg)
    1 x ao dia;
    TOTAL: 1 comprimido por dia
  2. Kaletra (lopinavir/ritonavir) 2x ao dia;
    “Truvada” (tenofovir/lamivudina) 1x ao dia.
    TOTAL: 3 comprimidos
  3. Viramune (nevirapina) 2x ao dia;
    “Truvada” (tenofovir/lamivudina) 1x ao dia.
    TOTAL: 3 comprimidos
  4. Reyataz (atazanavir 300mg ) 1 x ao dia;
    Norvir (ritonavir 100mg) 1 x ao dia;
    “Truvada” (tenofovir 300mg/lamivudina300mg) 1x ao dia.
    TOTAL: 4 comprimidos (de uma vez só).

Estas quatro opções mencionadas aí em cima são as mais comuns no Brasil.

Pessoas que começaram o tratamento há mais tempo muitas vezes estão em combinações diferentes, simplesmente pois já se acostumaram, não veem necessidade de mudar e acreditem no ditado: Nào conserte o que não está quebrado.

Muitas pessoas ainda tomam Biovir (AZT + Lamivudina), que é uma opção barata mas oferece certos discos de lipodistrofia.

Algumas pessoas não podem tomar Truvada por conta do Tenofovir, então são colocadas no Biovir ou no Abacavir+Lamivudina. Lembrando que antes de tomar Abacavir, o teste HLA -B*5701 deve ser feito e apresentar resultado Negativo, para não haver risco de hipersensibilidade.

Múltiplas resistências

 

Por diversos motivos, muitas pessoas acabam apresentando falha virológica que é quando o remédio passa a não funcionar mais como deveria. Não leva a carga viral do paciente ao nível Indetectável.

Geralmente por falta de adesão ao tratamento, não tomavam com consistência, pulavam muitas doses, etc.
Quando isso acontece, há grandes chances, principalmente nos tratamentos iniciais, de que o vírus volte com resistência.

Assim, o Brasil tem algumas opções que são as terapias de resgate. São compostas de medicamentos mais novos, avançados e mais caros.

Raltegravir: um potente inibidor da integrase, tomado duas vezes ao dia;

Darunavir + ritonavir: um inibidor da protease excelente;

Maraviroc: um inibidor de entrada. Só pode ser usado após análise da espécie de vírus do paciente e verificar que é uma variante que se encaixa ao receptor CCR5 das células CD4.

Recentemente outra opção foi adicionada ao SUS, o amado DOLUTEGRAVIR.
Um inibidor de integrase potente e muito bem tolerado tomado somente 1 x ao dia.
É recomendado como medicamento alternativo de primeira linha pela Organização Mundial de Saúde, mas no Brasil infelizmente só está disponível para pessoas com múltiplas resistências confirmadas.
Esperamos que ele seja trazido para tratamento de primeira linha com o passar dos anos e novos acordos. Mas por enquanto é só um desejo pessoal.