HIV & sexo

Porque todos merecem os benefícios e prazeres do sexo.

Guia atualizado em 2016 para quem vive ou com HIV.

Produzido por aidsmap.com , traduzido e adaptado por Derek, um rapaz vHIVo.

Introdução

Este livreto é uma introdução a saúde sexual para pessoas vivendo com HIV. A Parte 1  olha para a saúde sexual de uma perspectiva abrangente e explica porque ter HIV não precisa ser um motivo para fazê-lo parar de fazer sexo ou gostar do mesmo. O livrete descreve as maneiras pelas quais ter HIV pode afetar a maneira que você enxerga o sexo, e dá sugestões de maneiras para resolver problemas ou ansiedades que pelos quais você pode estar passando.

 Ter HIV não precisa ser um motivo para fazê-lo parar de fazer sexo ou gostar do mesmo

A parte 2 explica porque ter uma boa saúde sexual é importante para pessoas vivendo com HIV, e mostra os passos que você pode tomar para proteger sua própria saúde e a de outras pessoas. Você encontra também informações sobre o impacto do tratamento do HIV no risco de transmissão do vírus. A parte 3 dá informações quanto a sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento de algumas DSTs comuns.

Este material não tem o intuito de substituir discussões com seu médico ou seus agentes de saúde – mas pode sim ajudar você a decidir quais das suas dúvidas você quer melhor entendimento. Você também pode querer abordar alguns dos temas aqui cobertos com parceiros, amigos e agências de apoio.

Este conteúdo existe graças às pessoas vivendo com HIV e membros do nosso painel de revisão médica por sua ajuda ao revisar este livreto. Em especial: Sarah Ellis, especialista em enfermagem clínica, Grahame Hayton Unit, Barts Health NHS Trust; Angelina Namiba; Dr Daniel Richardson FRCP, Consultant & Hon Clinical Senior Lecturer in Sexual Health & HIV Medicine, Brighton & Sussex Universities NHS Trust.

Parte 1

HIV, sexo e você

Sua autoestima

Mente e o sexo
Prestar atenção a sua saúde sexual envolve mais do que evitar passar HIV para outras pessoas, ou evitar contrair doenças sexualmente transmitidas. Uma boa saúde sexual significa mais do que apenas sua saúde física.

Pessoas com HIV querem o mesmo que todas as outras – amor, carinho e prazer e satisfação que se pode obter (e fazer sentir) ao se relacionar sexualmente.

Sua sexualidade é parte do que te faz humano. Ter sexo e relacionamentos em sua vida deve ser algo tão importante quanto sempre tem sido. Viver bem e permanecer saudável tendo HIV significa cuidar de si mesmo – e isto inclui a parte emocional também. Se abster de dar e receber prazer ou contato humano não faz bem para você. Pode ser que você acabe se isolando e ficando depressivo, o que não é bom para sua saúde.

Tudo bem optar por ser solteiro ou pelo celibato – mas deveria ser uma decisão que você tomou por razões positivas. E não precisa ser uma escolha definitiva – você pode escolher não ter reles sexuais por um período, enquanto você aceita seu diagnóstico para o HIV, por exemplo. Algumas pessoas sentem que devem parar de ter relações sexuais pois têm medo de transmitir HIV, ou porque não se sentem mais atraentes. Mas definitivamente você não tem que parar de ter relações só porque tem HIV.

É importante lembrar que o HIV não passa de uma infecção – um vírus, como o de um resfriado, ou da gripe.

Não é um julgamento moral, nem deveria ser visto como uma punição.

Sexo pode ser prazeroso, pode aproximá-lo de pessoas e satisfazer um desejo poderoso. Já são razões o suficiente para continuar a curtir este ato íntimo tantas vezes quanto desejar. Porém, há outros benefícios à saúde reconhecidos também: ajuda a relaxar para dormir melhor; sexo pode ser um exercício físico muito bom; e sexo pode aliviar dores, melhorar a circulação e baixar os níveis de colesterol.

Para todas as questões acima é importante solucionar todas as dúvidas ou ansiedades que você possa ter o quanto antes possível. Você pode abordar assuntos sexuais com seu médico infectologista, agente de saúde ou o time presente no seu CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento). Você pode estar preocupado com a reação ou a decepção dos mesmos caso você tenha transado sem camisinha. Mas eles estão lá para ajudar exatamente com estas questões dando-lhe informações, e se não tiverem experiência no assunto irão levá-lo até quem possa ajudar. Você também pode buscar ajuda em instituições especializadas ou com amigos e outras pessoas que tenham tido experiência com os mesmos assuntos.

Como você se sente em relação ao sexo depois da soroconversão?

Mesmo não sendo desta maneira em todos os casos, muitas pessoas percebem que seus sentimentos quanto ao sexo mudam depois de descobrirem que têm HIV. Pode ser que seu interesse em sexo diminua ou desapareça completamente em alguns momentos ou o tempo todo – ou também pode achar que seu interesse sexual ficou mais forte, mais intenso.

Qualquer destas mudanças poderia ser simplesmente devido a uma mudança natural pelo seu interesse por sexo, ou pelas suas oportunidades de ter relates sexuais, claro. Mas tais mudanças em seu desejo por sexo podem trazer problemas, principalmente se deixam você triste ou interfere em outros aspectos da sua vida.

Descobrir que tem HIV pode fazer você se sentir diferente em relação a si mesmo.

O diagnóstico pode ser chocante para você, e assim fazer você deixar o sexo de lado – pelo menos por um tempo. Algumas pessoas com HIV dizem que se sentem menos atraentes física e sexualmente, e que ficam menos confiantes com seus parceiros sexuais.  Ter HIV pode fazê-lo ter uma visão negativa de si mesmo e de sexo. Pode fazer você se sentir mal pelo tipo de sexo que praticou ou que está praticando, ou bravo com si mesmo, ou com a pessoa ou pessoas que poderiam ter passado HIV para você.

Um diagnóstico para HIV pode alimentar sentimentos negativos sobre quem você é. O HIV tem sido usado nos EUA, por exemplo, para estigmatizar algumas das pessoas mais afetadas no país – homens gays, negros e pessoas que usam drogas.

Pode ser que você se sinta com medo de passar HIV aos seus próximos parceiros sexuais, e esta pode ser  a causa para a diminuição do seu desejo ou desempenho sexual.

Você também pode ficar nervoso só de pensar em contar para seus parceiros sexuais do passado, presente ou futuro sobre sua sorologia para o HIV. É você que vai tomar a decisão de contar para alguns, para todos ou simplesmente manter para si mesmo.

No Brasil, o direito ao sigilo é garantido por lei. Se você não quiser que ninguém saiba, ninguém precisa saber.

Enquanto muitas pessoas vivendo com HIV tem relacionamentos longos ou parceiros casuais com pessoas HIV-negativas, algumas vezes pessoas são rejeitadas por terem HIV. Isto pode ser doloroso (ou às vezes até mesmo colocar sua integridade física em risco). Você também pode estar preocupado se as pessoas para quem você contar manterão segredo. É importante que você desenvolva estratégias para lidar com isto caso aconteça com você.

Você também pode discutir estes assuntos com membros do seu time de saúde, como agentes de saúde ou psicólogos. (Lembre-se que os A de CTA significa Aconselhamento). Eles podem ajudar você a pensar sobre como, quando e para quem contar que você tem HIV. Bons amigos também podem ajudar você a pensar sobre estes assuntos.

Algumas pessoas vivendo com HIV optam por somente ter relações sexuais com pessoas que também tenham HIV. Às vezes isto acontece porque não querem correr o risco de passar HIV para outras pessoas. Outra razão pode ser para transar sem usar camisinha. Enquanto isto também pode trazer prazer e intimidade, ainda há alguns riscos de saúde para ambos, como contrair qualquer outra doença sexualmente transmissível ou hepatite, por exemplo. Isto pode ter um impacto negativo na sua saúde e possivelmente no seu tratamento do HIV. Também existe o risco, mesmo que muito menor, de reinfecção com outro tipo de HIV (que talvez seja resistente a alguns medicamentos).

Relacionamento com parceiros HIV negativos.

Muitas vezes pessoas vivendo com HIV tem parceiros que não tem HIV (Estes algumas vezes são chamados por profissionais de saúde como sorodiscordantes ou sorodiferentes). Pode parecer Sorodiferentesque relacionamentos entre pessoas com status HIV diferentes somente são considerados em termos de sexo e risco de transmissão do vírus.

Sexo é importante para muitos relacionamentos íntimos mas poucos pensamentos são baseados em sexo somente em longos períodos. A parte sexual dos relacionamentos pode mudar significantemente ao longo do tempo e sua importância pode variar de indivíduo para indivíduo no relacionamento. Mas de uma maneira ou de outra, ter HIV provavelmente vai afetar a maneira como você e seu parceiro se sentem quanto ao sexo, em ter implicações quanto ao tipo de sexo praticado. Isto é especialmente o caso do HIV porque ele pode ser transmitido através de contato sexual. Faz sentido você e seu parceiro conversarem sobre isso. Você pode querer discutir como isso pode afetar a sua intimidade, desejo e performance sexual. E a importante conversar sobre maneiras de prevenir seu parceiro de controle.

Outra boa maneira para previnir a infecção por HIV é por meio de camisinhas.

Usadas de maneira correta e com consistência, elas também previnem a transmissão de outras doenças sexualmente transmissíveis, e ainda previnem uma gravidez indesejada em casais heterossexuais.

Usar camisinhas da maneira correta é uma solução para alguns casais, mas outros acham difícil usá-las em todas as relações, ou até mesmo de usá-las de maneira geral.

Você pode resolver alguns destes problemas conversando com seu parceiro sobre o fato. Também pode ser útil falar com alguém da sua clínica , como um agente de saúde de sua confiança.

Pode ser que você tenha problemas que são fáceis de resolver.

Camisinhas

Algumas pessoas, por exemplo, percebem que camisinhas de tamanho padrão estouram por serem muito pequenas, ou que saem do pênis por serem muito grandes. Tentar diferentes tamanhos pode resolver facilmente estes impasses.

Usar camisinhas femininas ou diferentes tipos de lubrificantes pode variar, e melhorar a experiência sexual.

Camisinhas femininas também dão à mulher mais controle quanto ao uso da mesma.

Se você estiver preocupado com uma possível exposição ao HIV (talvez a camisinha estourou ou saiu durante o sexo), a profilaxia pós-exposição está disponível no Brasil para isso.

Vá a um CTA (Centro de Testagem e Aconselhamento) próximo, ou posto de saúde, ou até hospital e peça a PEP.

É direito seu. São 28 dias de tratamento que podem trazer efeitos colaterais, mas uma grande chance de evitar a infecção se feita antes de 72h.

Porém, dificuldades com o uso da camisinha podem estar mais ligados a sentimentos quanto o HIV em si, confiança e intimidade, e conversar com seu parceiro ou um psicólogo ou profissional da área pode muitas vezes ajudar.

Se você não estiver praticando sexo seguro, é importante que ambos entendam e aceitem os possíveis riscos e tenham considerado o impacto tanto em você e em seu parceiro caso o mesmo contraia HIV.

Muitas pessoas acham difícil falar sobre sexo, mesmo com pessoas muito próximas.

Se este for o caso, tente discutir seus anseios com alguém do seu posto de saúde ou CTA, ou um grupo de apoio. Isto pode ajudar você a sanar dúvidas e dizer o que você gostaria.

Fonte: http://www.aidsmap.com/New-edition-of-HIV-sex-booklet/page/3033623/